Este rosto, marcado pelo sol e pelo vento cortante do Norte, é o mesmo que, antes de partir, se inclina para dar um beijo de despedida à sua neta, ainda adormecida no leito que a Ria lhe deu.
Todos os dias, antes de o sol despontar, a cabrita espera-o para mais um dia de labuta. Mais um dia a lavrar o leito escuro e traiçoeiro da Ria.
É ela que lhe dá o pão de cada dia, mas é também ela que esconde, sob o lodo, os perigos que podem roubar-lhe a vida.
O homem da Ria veste as suas calças de oleado para se proteger da água gélida, mas não da morte.