As barcaças (ou bateiras) eram a ferramenta dos pescadores da Pateira. Não era só “um barco”, era quase uma extensão do corpo deles.
A Pateira é muito rasa, cheia de vegetação, então as barcaças de fundo chato eram perfeitas para deslizar sem prender. Os pescadores moviam-se com uma vara longa, empurrando o fundo silencioso, perfeito para não assustar o peixe. Faziam pesca de pequenas espécies como enguias, carpas, tainhas e achigãs. Muitas vezes eram usadas para colocar e recolher redes, covos e nasas. Como eram leves, podiam ser puxadas para dentro da vegetação para apanhar peixe escondido nos juncos e nenúfares.
A Pateira é um ecossistema sensível, cheio de aves, caniços, lírios, nenúfares e zonas de lodo. As barcaças foram criadas especificamente para não ferir o ambiente: o fundo chato evitava cavar o fundo da lagoa; não tinham motor (durante a maior parte da história), por isso não havia ruído nem poluição; permitiam aos habitantes andar por lugares onde nenhum barco normal poderia ir; ajudavam também na recolha de jacintos-de-água, quando era necessário controlar o excesso.
Com o tempo, passaram a ser usadas por biólogos, guardas ribeirinhos e até para atividades de educação ambiental.